Arquitetura Porto Alegre - Projetos residenciais

Participante do Concurso Nacional de Arquitetura, este projeto arquitetônico contemporâneo possui uma malha de aço na fachada que reveste o ambiente administrativo da sede.

Projeto de arquitetura contemporânea

Projeto desenvolvido para a Sede do Complexo Trabalhista do TRT, em Goiânia, participante do Concurso Nacional de Arquitetura. Pensamos a edificação com o objetivo de ser um ponto de referência para a cidade, um marco urbano, tanto por suas dimensões e volume de usuários como pela relevância da instituição. Como marco simbólico monumental, se articula com a escala da cidade. No âmbito do entorno local, relaciona-se com o uso cotidiano como um equipamento de uso público e um espaço integrador, permeável e aberto à população.

A arquitetura assume como princípios a responsabilidade de ser representativa do caráter institucional, de condizer com a imagem de uma justiça baseada na afirmação dos direitos humanos e alinhada com as práticas sociais do mundo contemporâneo, sem se distanciar da realidade local.

Projeto de construção economicamente viável e ambientalmente responsável, opta pela clareza da leitura de usos, racionalidade executiva e simplicidade formal. Na primeira etapa de implantação, parte da organização das varas, quatro por andar, em um volume que ocupa a área destinada a primeira etapa. Este bloco de varas, com 5 pavimentos, é elevado à cota do 4º pavimento. Em uma barra sob este volume são alojadas as salas dos juízes e associações. No térreo, as agências bancárias e o auditório de 400 lugares formam uma plataforma que será o embasamento de todo o conjunto. Acima desta, cria-se uma praça pública onde se localizam restaurante, livraria e biblioteca e o acesso para o foyer dos auditórios.

Na segunda etapa se implanta, paralela e na mesma altura do volume das varas, uma barra que abriga a presidência e os gabinetes do segundo grau. Entre estes dois volumes, uma pele de vidro cria um grande átrio comum, que protege a praça pública, onde os acessos situados nas extremidades do átrio formam um eixo transversal. Sob a praça, o vão do átrio permite dispor o auditório de 600 lugares, com acesso pelo mesmo foyer da primeira etapa.

A barra recoberta por uma malha de aço que abriga as associações, no 2º e 3º pavimento, reúne as funções de secretarias, distribuição e arquivos, e conecta as atividades do átrio com o edifício da seção médica. Essa barra suspensa abraça e dá unidade ao conjunto, com o espaço cultural na fachada oposta. No espaço aberto do miolo da quadra, cria-se uma praça com vegetação de grande porte, protegida do sol por uma cobertura permeável, cujo desenho de paisagismo é orientado pelo eixo longitudinal acompanhando um espelho d’água.

O restante do programa é disposto na periferia da quadra. O prédio da seção médica é implantado paralelo ao eixo longitudinal, em posição oposta ao prédio existente. Este, adequado internamente ao programa solicitado, recebe pintura branca e uma segunda pele em malha de aço, que melhora o desempenho térmico e integra-o a linguagem proposta para o complexo. Os estacionamentos estarão uma parte no nível dos auditórios e o restante em dois subsolos que ocupam a projeção dos volumes de varas e gabinetes.

Uma plataforma plana torna permeável todo o térreo do complexo e cria uma praça de uso semi-público, elemento central e integrador do projeto. A praça protegida é o local de convívio que concentra as atividades públicas e acolhe os usuários do complexo, conecta as vias públicas e organiza conforme dois eixos de acesso, as circulações verticais e a distribuição das atividades do programa. Sua continuidade acontece em uma praça aberta, sombreada por uma cobertura permeável, onde a vegetação colabora na criação de um micro-clima mais ameno.

Os acessos de pedestres ocorrem por quatro vias que circundam o complexo. Por escadarias em uma das laterais, o pedestre atinge o nível da praça, chegando ao grande átrio. Oposto à escadaria, há um acesso formando um eixo que conecta a praça aberta no miolo da quadra à praça protegida do átrio. A partir do átrio central, as circulações verticais se distribuem em núcleos públicos e privativos que permitem acessar independentemente as diferentes partes do complexo. Em cada pavimento, de acordo com o uso há circuitos públicos e privativos, com sanitários independentes.

O programa se organiza de forma clara, facilitando a compreensão por parte dos usuários e racionalizando o uso de circulações, equipamentos e instalações. As diversas atividades ocupam volumes distintos interligados vertical e horizontalmente, conforme necessidade de uso. Nos pavimentos das varas e dos gabinetes, a necessidade de acessos públicos e privativos determina o layout e o posicionamento das circulações verticais.

A concepção arquitetônica do complexo do TRT preocupa-se especialmente com o conforto ambiental e economia de energia, adaptando-se a situação geográfica e climática do cerrado. Para todo o complexo é propiciada circulação cruzada de ar, iluminação e ventilação natural. Elementos sombreadores em tela metálica protegem as fachadas e as áreas abertas da incidência direta da luz solar, a massa de vegetação e o espelho d’água amenizam a temperatura e umidificam o ar que circula pela praça. No átrio, aberto no térreo, a circulação do ar ventila tanto os espaços públicos como os ambientes de trabalho. A pele de vidro com baixa transmissão de calor, aliado ao sistema e sombreamento em tela metálica, garante uma boa condição de iluminação natural ao mesmo tempo em que evita a incidência direta da luz solar, sem impedir a visualização e o contato com o ambiente externo. Nas empenas cegas a grande inércia térmica do concreto contribui para o condicionamento ambiental.

Para os espaços de trabalho e auditórios, foi previsto sistema de condicionamento de ar, a ser utilizados apenas nos dias de calor mais extremo. Com estas definições de projeto garante-se o mínimo dispêndio de energia, que ainda pode ser complementada por painéis fotovoltaicos instalados na cobertura.

A área de vegetação no interior do quarteirão e nos recuos, garante ótima taxa de permeabilidade do solo. Além disso, o projeto prevê a coleta, tratamento e armazenamento da água captada nas coberturas para utilização no próprio complexo. A permeabilidade visual e a circulação de ar aproximam ambiente interno e externo, permite a integração visual da paisagem e qualifica os ambientes de trabalho e o convívio.

O edifício é concebido para ter um longo ciclo de vida, para tanto se elegem materiais de comprovada durabilidade e uma modulação da estrutura que possibilite grande flexibilidade espacial. A estrutura em concreto armado moldado in loco, com lajes nervuradas, vence com eficácia os vãos de 15m a 20m e libera espaços amplos e flexíveis. Em todos os pavimentos, um forro assegura espaço para as instalações de lógica, elétrica e de climatização. As esquadrias com aberturas estrategicamente colocadas permitem eficiente circulação de ar, ou se necessário, garantem a estanqueidade térmica e acústica dos ambientes internos.

As vedações externas, vidro, tela metálica e concreto aparente, além de se adequarem à linguagem arquitetônica e ao caráter funcional do conjunto, apresentam ótimo desempenho térmico, adequando-se às condições climáticas locais, além de possuírem características de transparência, sombreamento e permeabilidade. Para as divisões internas, a opção é por alvenarias nas áreas molhadas e divisórias leves para os ambientes de trabalho.

GALERIA

Ficha Técnica

  • Local: Goiânia/GO
  • Arquitetos: Carlos Eduardo Mayresse, Juliana Piletti e Juliano Spader
  • Ano de projeto: 2007
  • Concurso Público Nacional 

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